quarta-feira, 2 de maio de 2012

Buenos Aires, 12 de maio de 2011.


Buenos Aires, 12 de maio de 2011.

Madrugada de quarta-feira. Chegando ao sétimo dia na capital Argentina. Tempo curto, mas desde quando mede-se a saudade e o sentimento entrelaçado de uma vida? Não, não se mede, não pesa, não se define. Enfim, hoje foi um dia de chorar, de sentir falta dos meus, de ler um ponto e o coração apertar. Enfim, sem fortaleças, encontro-me no “meio do mundo” sem estar sozinha. Impossível estar.  Mais um dia, mas uma manhã linda, mais de vários dias que virão.

O plano é conhecer Buenos Aires calmamente. Imagino que quando comecei a andar, a falar, talvez o medo e a excitação fossem presentes. Revivo essa sensação desconhecida agora. Ontem fui desbravar o bairro Recoleta. Desbravar é muita pretensão, já que não foram passos tão longínquos. De qualquer forma já deu para vislumbrar o que é. E é lindo. Praças enormes, muito verde, muitas construções maravilhosas. Não me acanho em adjetivar tanto nesse momento. Quando você dá de cara com o prédio da faculdade de Direito e Ciências Sociais faz os olhos encherem de brilho. Quase Grécia (que incrível eu comparar com lugares que nunca fui, pero a televisão, filmes, livros, fotos, estão aí para isso mesmo, né?!).  Ao lado do prédio está o Parque das Nações Unidas. Uma flor de metal imensa – imensa mesmo, está ao meio. Uma flor que se movimenta. Abre às 8h da manhã e fecha as “pétalas” ao anoitecer. Cada passo é uma história. Uma memória. A lembrança dos anos de ditadura militar Argentina estão em todo lugar. Mais a frente, o Museu Nacional de Bellas Artes. Lá a gente fica arrepiado mesmo. 

Fiquei pensando se estaria sendo blasé ao ficar falando sobre uma ida ao museu. Mas não me achem assim. É de se perder esse passeio. De entregar mesmo. Fui e quero ir de novo e sempre.  No Cemitério que leva o mesmo nome do bairro é outra parada interessante. Minha amiga relutou em ir, dizia ser um passeio lugrube. Eu não achava isso e continuo não achando. Nada de ficar pensando em fantasmas. Morte é parte da vida. Mas esse passeio é ir além desses conceitos. É bonito. Ao passar pelos jazigos, vi o quanto de filho da puta está lá. Mas esse assunto são outros quinhentos. Vale a observação: quantas boates e “nihgts clubs” tem em frente ao cemitério. Fica a dica de quem quiser fazer uma análise sobre o caso, caso não, tudo bem, só uma observação mesmo. Rs.

Bem, deixei minha coleguinha de caminhas portenhas lá na Recoleta e corri para o meu primeiro dia de aula. Do outro lado da cidade, mais exatamente no bairro de Caballito (como os argentinos dizem: Cabaxito. Ah tá!). Metrô lindo que funciona, me levou da estação Pueyerredon à Puan. – Combinación como dizem por aqui. Cheguei cedo para a aula – quase com a sensação de estar com a merendeira…hahaha. 


Aí foram chegando meus futuros colegas. Pessoal bem espalhado. Uma chilena, um Argentino do interior do país, uma uruguaia, um mexicano, um tanto de colombiano e mais três brasileiros comigo. Mas até esse momento não sabia dos brasileiros. Estou lá no blabla no mais horrendo castellano, mas o povo entendendo. A sala que tem a aula ainda estava ocupada por outra turma. Aí o pessoal foi saindo e todo mundo da minha turma ressabiado de subir, se entre olhando, aí a pessoa aqui sobe a escada e chama todos “Vamos”. Hahaha….Aí um pergunta tímido: “Você é a professora da material?”. Aí ok, ganhei minha noite. O nervosismo faz você rir e fazer coisas desse tipo. Não sou nada expansiva, o que acontece é que o medo e o nervosismo me dão um tapa na bunda, como se quisesse dizer: Vai Maria!.  Outros medos virão e as respostas são um enigma para mim. Mas enfim, aula começou, teve o momento de apresentação, fiz mais uma gracinha típica e tudo passou. Graças a Deus. No intervalo mais umas conversas. Chegamos todos sozinhos e fomos embora em 10 para o metrô. Por incrível, eu era a que menos falava (que previsível, imagino quantos estão rindo agora disso). 


Corri pra “casa”. Lar-doce-lar, meus amigos que trabalham no albergue me receberão, me dão boa noite, me chamam pelo nome. Nada como se sentir acolhida.

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