Agora sete dias completos aqui. A melancolia chega. Pensar: O que estou fazendo aqui longe? Vejo um e-mail sobre as coisas mais lindas que minha mãe escreve, lembro que esse é mais um dia de muitos que hão de vir. Me despeço mais uma vez. Giovana voltou para o Brasil e volto a ser minha companhia mais constante. Desci para conversar com Pablo, ou Pablito, agora. Falamos sobre saudade – tenho ensinado muito essa palavra aqui, realmente a palavra mais importante que temos. Converso muito com o pessoal que trabalha no hostel, são as pessoas mais próximas que tenho aqui e o carinho é de amigo, família mesmo. Falamos de música, Brasil, Argentina e vida. Um beijo no rosto de bom dia ou boa noite. Hoje pela manhã, Pablito estendeu a mão e me deu o ombro. “Quando se sentir sozinha, venha para cá e não se sentirá mais. Estamos aqui sempre.” Do sentimento pulsante quase cortante, fez-se o alento, todo o carinho.
Ontem fui ao lugar, talvez o mais legal daqui até agora. Boliche de Roberto. Fica no bairro de Almagro, un poquito lejo de onde estou vivendo. Mas valeu cada minuto da espera do ônibus. As companhias era Giovana e Mike, o australiano, músico, que está aqui para ficar dois meses. Aceitaram a sugestão que foi dada pelo meu irmão e fomos. Um lugar muito pequeno, cheio, umas três ou quarto mesas e um mini palco. Prateleira até o teto já bem velho, hospeda garrafas mais antigas ainda, empoeiradas. Desde o princípio um lugar familiar para mim – cara de bar mesmo, desses que escondem na Belo Horizonte ou como a Bodeguita del Medío. Até então nem sinal de tango. Todo muito espremido. 90% homem, fazendo parecer um jogo de futebol – alias passava um jogo na tv. Mas eis que chega o cantante acompanhado de um homem com violão. E foi assim que se fez a noite. O senhor de uns 60 anos soltou uma milonga. Não se ouvia um respiro do público. Hipnotizados ficamos. Todos, eu disse todos, estavam com cara de contemplação. Cada milonga mais maravilhosa que a outra, entoada da forma mais pura e sincera que já vi. Quando ele cantou Por una cabeza todo mundo cantou junto… sussurrando. Eu volto lá toda quinta-feira sem o menor problema. Praticamente decidi que lá será meu porto musical aqui. Uma cerveja e fechamos a conta.
P.s: Chegando em “casa” hoje, Sebastián me pergunta como foi o dia. Eu respondo que foi bom, mas que não encontrava casa para morar. E ele responde: “Fue bueno, más estoy en casa”. Animate, Maria.
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