Buenos Aires, 31 de agosto
de 2011.
Na verdade, a história de
sentir saudade de feijão (com arroz) é uma lenda. Mentira. Não é lenda e sim representações
da saudade. Claro que posso viver sem feijão, sem queijo minas, sem pão de
queijo, sem BIS, sem abacaxi e todo o sacolão lindo e maravilhoso que tenho aí
perto de casa. Poder eu posso, a questão é se eu quero ou não. A questão é que
tudo isso, além de ser delicioso, é uma representação. Um sabor que vem da
saudade. Saudade essa que bate sempre, mas sem lamento. Bom, meu pacotinho de
feijão preto ainda não acabou e aquele pacote de feijão Rajado que ganhei,
ainda está fechadinho, esperando a hora dele.
E o tempo tá que tá passando rápido. Eis que já terminou o
mês de agosto. E quarto meses Buenos Aires. E quatro meses de quê mais? De
frio. Eu seu que já deve está careca de “ouvir” isso, mas imagina eu?! Cansei.
Já deu, já basta, tchau frio. Hoje amanheceu 2 graus. Ao meio-dia faziam 10. E
o que eu fico sabendo? Que aí, em pleno inverno está algo como 32 graus. Um sol
de rachar a mulera. Ah, Deus, que inveja. Sou filha de índio, meu Deus. Quero
ver meus braços, minhas pernas, sair de casa sem um casacão, sem botas…Ok, um
desabafo rápido. Desculpa. Ok, é inverno e inverno faz frio mesmo. Conforme-se
e espere mais uns 20, 30 dias. E vamos as noticias.
Na verdade sem muitas
novidades, deixando reservado meu direito de coisas de Maria, que cá estão
comigo. Hahahaha…
Enfim, a vida segue. Não, claro que tenho uma novidade novíssima: tenho 27 anos. Meu primeira aniversário longe de casa. Na nova casa.
Digo que foi diferente. Sim, comemorei. Algumas vezes. Primeira comemoração no
meio do mês, no Brasil, aí com (parte) dos meus. Que lindo foi. Com bolo,
guaraná, jujubas. E aquele tantão de beijo e olhinho brilhando. Ah, Belo
Horizonte. Teve colo de mãe, cafuné de pai, chamego do irmão, abraços infinitos,
carinhos carinhos carinhos. Xiliquinho lindo e manhoso não me esqueceu e
Pacheco e Bento pulam em mim como se tivessem me visto um dia antes. Teve
quintal, tentativa de calangar no sol. E te conto que isso renovou a energia e
voltei pronta para a nova idade, a continuação da vida.
E aqui, fiz festa com
direito a sete nacionalidades, três “Parabéns pra você” diferentes. Fazia um
frio (e a novidade?), ventava, mas nada que uma Salsa e uma Cumbia não
levantasse a temperatura. Queridos amigos estiveram junto. E várias (VARIAS)
pessoas que nunca ví antes – e provavelmente não vou ver mais. Hahaha…E dessas
pessoas que nunca me viram, só me perguntam: Quantos anos? Quem pergunta a
idade antes de dar um olá e perguntas seu nome antes??? Ai que bom ser eu nessa
altura do campeonato (sem nenhuma soberba, juro!): “Oi, tudo bem? Como você
chama? Maria, prazer. Sim, sou brasileira e você quem é? Ah prazer, mucho
gusto”. Aí sim a gente conversa, desenvolve a conversa, né?! Hahahaha…ah,
gringos. Bom, e teve surpresinha ao final para os convidados. Não, não, nada de
stripper, escândalos, não preocupa. Surpresinha mesmo. Saquinho, com bala, língua-de-sogra e outras bobagens ficávamos ansiosos para ganhar na festinha
do coleguinha. E recebi mensagens, telefonemas, cartinhas, tudo lindo. Como
alguém pode não gostar de aniversário???????? Feliz ano novo, Maria!!!!!
Bom, daí pra frente, é só
correr. Correr para não chegar atrasada na aula de espanhol – etapa nova.
Voltar a acordar cedo depois de uma mini férias. Refazer os horários, tudo tem
que dar tempo. Chegou a hora temida de apresentar trabalhos no mestrado e escrever
para cada material/seminário. Mas isso não vou detalhar nessa carta de hoje,
não, tá? Ah não, muito chato!
E os chino amigo?
Hahahaha….Essa cidade está cheia de chineses. Não são pouco não. São muitos.
Todos! Em cada bairro há mercadinhos, vários desses. E eles são os “Chino”. E
lá estão os olhinhos puxados falando o idioma deles mesmo. Uns muita mala onda,
mas outros ótimos. Eu moro em Belgrano, ao lado do Barrío Chino – nossa
Chinatown. Fast food oriental, restaurantes finos, mega stores de buchingangas.
Dizem que quando se comemora o ano novo chinês tem aquelas festonas na rua. A
ver. E bem, desde que cheguei aqui, descobri um restaurante chinês pero do
hostel que morei. E lá é um dos poucos self-service que existe aqui, mas assim,
não tão self-service, pois só para buscar comida, colocar na sua marmitinha e
tchau. Pois lá lá que continuo
indo nos dias que estou nas redondezas. E não que desenvolvi uma amizade com o
Chino? Hahahha…Já saí de trás do balcão, me cumprimenta e tudo. Um fofo. Está fazendo aula de português e fica naquela querendo conversar em português, uma
graça. E em um dos mercadinhos aqui perto de casa, onde vou fazer minhas
comprinhas, o senhor Chino me pergunta: “E como foi no Brasil?”. Levei um
sustinho, mas aí me lembrei que eu conversada que sou, lhe contei que está indo
ao Brasil. E aí já está acontecendo o que me alegra em morar no bairro
belorizontino: passar e sair cumprimentando o pessoal da vizinhança.
Enquanto lhe escrevo esta,
a representação da minha saudade chegou. O feijão que estava na panela queimou.
(Não foi nenhuma metáfora. Queimou mesmo). Vou ali resolver isso. Escrevo em
breve.
Saludos!
Maria
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