quarta-feira, 2 de maio de 2012

Buenos Aires, 11 de Setembro de 2011.


Buenos Aires, 11 de Setembro de 2011.

Hoje a lua nasceu Hermosa. Digna de contemplação. Assim deveria ser sempre, aliás.A lua nasceu assim e acordei pensando: como e quanto se dão os encontros? Ou melhor, que vibração é essa que nos seguir um caminho, e nele cruzar com outras histórias?

Talvez se eu estudar física quântica ou assistir mais uma vez filmes como “Quem somo nós” e “O Segredo”, alguma ideia mais certeira eu tenha. Por agora eu tenho suposições ou isso que chamamos de deslumbramento, que segundo o dicionário é “deixar-se fascinar ou seduzir”.

Esse tema sempre vem à tona na minha cabeça. Percebe-se pela quantidade de vezes que já me intriguei em outros rascunhos.

Atualmente moro em Buenos Aires. Há cerca de um ano, meus planos eram seguir de férias para visitar alguns amigos e conhecer lugares como Barcelona, Paris, Milão e Tunis. Enquanto muitos me falavam para poupar dinheiro e ir por perto do Brasil mesmo, como conhecer a Argentina, eu relutava e dizia que iria sim, mas em outro momento, pois a esse país, queria uma visita mais amiúde. Isso porque tal lugar sempre me causou muito encanto e daí meus estudos e interesses quase sempre ele estava envolvido. Eis que um dia recebi um e-mail de uma das pessoas mais queridas dessa vida: Gabriel. Nele, me dizia sobre um mestrado que estava com inscrições abertas na Universidade de Buenos Aires. O curso: Teatro e Cinema Latinoamericano. Tentador, mas confesso que naquele momento não dei bola. Por razões que não cabem aqui, resolvi espiar o tal e-mail novamente, isso, uns dois meses depois. Me inscrevi. Fui atrás de toda documentação, rescrevi o projeto e o mandei. Assim, sorrateiramente – aprendi forçadamente que compartilhar uma expectativa, é triplicar a ansiedade e no fracasso, a tristeza vem gigantesca. Três meses depois o resultado saiu e cá estou.

Apreensão, alegria, medo, expectativa, entre outros sentimentos estiveram presentes desde novembro do ano passado e me acompanham ainda hoje, confesso. Parti para realizar um projeto que acredito, quando tudo estava muito bem, obrigada.  Para mim, não abandonei nada, apenas mudei de lugar e partilho das mesmas alegrias do meu porto, em outro lugar. Percebi que isso não poderia ter acontecido em um momento diferente. 

Daqui, partilham-se histórias semelhantes. Sentimentos que por um milésimo de tempo, pensei que só eu sentia. Nas conversas a fim de descobrir o outro e o novo, se cruzam. Os caminhos por uma graça se encontraram. Como não iria conhecer-los? Como eu não conheceria o Gabriel e com ele dividisse parte da minha vida e por ele, não saberia e viveria isso? Há coisas que não se desatam, há outras que se afrouxam e há muitas que só ata mais ainda os nós. Ainda bem.

Maria Elisa M.R. (Em uma noite de lua cheia, à espera da Primavera, com um vento suave e meio frio, que provavelmente muitos de outros cantos sentem agora)

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