quarta-feira, 2 de maio de 2012

Buenos Aires, 4 de Dezembro de 2011.


Buenos Aires, 4 de Dezembro de 2011.

Por pouco não escrevi 4 de Primavera. Um lapso corrigido a tempo.
Chegado ao mês sete aqui. Dezembro chegou. E que alegria é dizer mais de meio ano vivendo aqui. Seria essa a sétima carta? Bom, não sei. E também nem importa muito. Não sei se você chegou a ler todas essas linhas que enviei nas "cartas". Cheguei a esse décimo segundo mês do ano - preciso dizer que minha mãe sabiamente disse que devia se chamar Dozembre, como achei incrível, precisei compartilhar. 

Enfim, chegamos ao último mês do ano e tô aqui pensando o que posso contar. E na verdade, tem muitas coisas, a vida aqui por mais que você não faça "nada" em um dia, ele é capaz de ser um dia altamente interessante. E isso nem precisa estar em Buenos Aires para reconhecer. 

Você provavelmente deve ter um tanto de coisa para contar e nunca me contou. A verdade é que tô arrumando a mala. E acho essa a pior parte de uma viagem. Porém agora, mexendo nas minhas coisas aqui, fui ver o que levo ou não. E quis deixar algumas coisas que ficaram á minha vista todo esse tempo e que ficarão. Meus bilhetinhos, cartas, fotos, o ursinho que a Lia mandou para mim de Luanda, a caixa que recebi da Giovanna com meu cachecol - tive que deixar ele guardado agora, pois fazem 30 graus com uma umidade  que abafa, estranho. E aí vi as cartinhas que minha mãe me enviou, a lista que fiz quando meu pai veio me visitar...e aí um carinho tão imenso de tudo, 'inscluisive' seu, que quis adiantar a carta. 

De tudo, quero dizer mesmo, que cada suspiro gerado por um beijo, abraço, silêncio...cada suspiro bom desses, me ajudou a andar com uma bota imobilizadora, suportar o frio, tomar chuva no meio da rua sem guarda-chuva, nos primeiros dias que continuam sendo os primeiros cada vez que ouso ir ver algo novo. E aí que falar do último filme que ví, o escândalo na tv, o calor portenho, os vizinhos, o choro cantando um Mantra, as reformas nas ruas...não fariam tanto sentido agora. Talvez na próxima carta ou tete-a-tete, pois tô chegando. Sim sim. Desce com o copo que a conversa vai ser longa.

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