Buenos Aires, 30 de Abril de 2012.
Há poucos dias de completar um ano de Buenos
Aires. E já não caminho com o pé machucado, já não me confundo nas palavras e
não falo ‘malas palabras’ sem saber. Já posso falar como são as quatro estações
por aqui. Já tenho meus lugares preferidos, mas uma infinidade a conhecer. Meu
número de telefone já sei de cor. Quero me desfazer de pelo menos 40 Kg coisas
que tenho em malas, pois já conheço o clima e as roupas e objetos que uso. E
cada dia mais sei que ‘menos é mais’. Em um ano já estou no meu quarto endereço
e talvez me venha o quinto. Tenho amigos de infância nessa terra que me acolheu
e me repeliu várias vezes.
Em um ano quero me apaixonar de novo por essa
cidade. Depois do tempo de festa/férias no Brasil, foi como se tivesse revisto
um amor antigo, Belo Horizonte, e isso fez balançar a estrutura do
relacionamento que vinha tendo com a vida porteña. Certo que meu coração gosta
mesmo é de amar. Mas paixão…essa dá e volta e revira. Aí é esperar para ver se
a paixão vinga de novo. Mientras tanto, Buenos Aires é passível de enamorarse.
Um ano passa rápido. Mais outro ano passará tão
rápido quanto. E a saudade serviu de alimento para Outono, Inverno, Primavera e
Verão. E a tecnologia serviu para dificultar que a saudade seja sentimento
maior. A distância vem também para se conhecer no meio de um mundo que não é
seu e você no máximo é um passageiro disso tudo. Mudar ajuda a organizar essa
bagunça que pode ser sua cabeça e colocar a prova que cozinhar, lavar vasilha e
estar sozinha são ótimas terapias. Aqui, descobri que solidão é coisa que se
pode optar. Foram poucos os tempos de solidão, e estar sozinha as vezes é uma
maravilha.
Estar há um ano por aqui me deixou mais
paciente. A convivência com pessoas com outras criações, outras culturas,
outros tudo, te deixam mansa e forte. Você aprende que não pode dar um cutucão
quem está ao seu lado comendo de boca aberta. E sabe que se não conseguir ficar
quietinha, na sua, é possível se se concentra e abstrair. E que quando alguma
coisa não dá, não dá. E que mesmo assim perseverança se consegue sem se fazer
estrondos.
E nesses 12 meses uma paixão virou amor. Luis
Alberto Spinetta me arrebatou. O conheci pelas mãos do meu irmão, que uma vez mais
me presenteou com a música, no caso, esse argentino, que quando me apresentou,
não fazia ideia teria um dia uma vida nesse lado de cá. E o escutei aqui com
uma constância tamanha que me deixou mais feliz quando a melancolia e a alegria
me visitaram. O vi em programas de televisão, o escutei com amigos daqui em dias
de pura música quando nos encontramos para escutar discos e eles tocavam para
mim notas e cantavam melodias do “Flaco”, como Spinetta é carinhosamente
chamado aqui. E quando eu estava aí em fevereiro, esse muchacho de ojos de
papel se foi e me despedi dele como se fosse um amigo próximo, com uma tristeza
parecida. Ontem fui à um show do Pedro Aznar em homenagem ao Spinetta. A avenida Sarmiento com 50 mil pessoas era puro
silêncio.
Emocionante. E iluminou aquela noite, quando eu já era da cidade e
gritei junto com os meus agradecendo a presença do Flaco nessa vida. E assim
vivo já o frio úmido de Buenos Aires, que me esquenta em momentos como esse. Te
deixo uma música que me convidou ao amor e me faz tentantiva de repaixonar.
“Ya lo estoy queriendo. Ya me estoy volviendo
canción...”
Bitocas minhas.
Maria
y
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=-6tGDgkzHb8
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